burda style 02/2015 - Atelier - Découpage

A figura do Santo António, forrada com mapas e papel de revista, é a imagem de marca do trabalho de Teresa Martins, que concilia originalidade com reciclagem de materiais. O papel é, a par dos têxteis, o material de trabalho de eleição da professora de Educação Visual e Tecnológica do ensino básico que dedica os seus tempos livres à exploração de materiais e técnicas de trabalhos artesanais.
Para forrar as peças Teresa utiliza uma técnica especial de découpage, com papel recuperado de revistas usadas. “Sempre gostei de trabalhar com papel e de explorar as suas possibilidades. Esta técnica resultou de várias tentativas e passei a utilizá-la em diversos objetos”, explica. Mesas, tabuleiros, caixas, candeeiros, as possibilidades são infindáveis. “Também é muito frequente receber encomendas para forrar objetos especiais ou antigos, como cadeiras ou antigos cavalinhos de madeira”, conta a professora.
A par do trabalho com papel, Teresa Martins dedica-se à criação de artigos têxteis, nomeadamente tapetes, cestos, puffs em crochet, tricot, ou também com tecidos reaproveitados de velhas peças de roupa. Mas a sua criatividade não se limita a estes materiais, estendendo-se ainda a colagens e pintura em aguarela.
A paixão de Teresa Martins por trabalhos manuais nasceu cedo, ainda na infância, e a sua criatividade era visível nos presentes de Natal ou de datas especiais. Na adolescência começou a rentabilizar a sua vocação, vendendo os seus trabalhos a pessoas conhecidas, e posteriormente participando em feiras de artesanato. Há alguns anos abriu, em conjunto com amigas artesãs, uma pequena loja, em Lisboa, a “Loja Temporária”, onde expunha e vendia regularmente trabalhos de outros artesãos, um projeto que entretanto fechou portas devido a falta de disponibilidade. Atualmente, Teresa Martins tem peças à venda na loja Portugal Modernista, localizada na Feira da Ladra, e vende através de encomendas e pedidos, por mensagem, no Facebook (Pick&Try), ou por email.
Teresa transmite a sua paixão aos alunos, jovens entre os 10 e os 12 anos, com quem desenvolve trabalhos nesta área. “Eles adoram experimentar e manusear novos materiais. Por vezes não é fácil conciliar as aulas com esta atividade, mas acaba por ser também uma terapia, porque me abstrai do stress do dia a dia”, conta.

“A burda sempre foi uma referência ao longo de todo o meu percurso criativo e consegue sempre surpreender-me”