burda style 04/2011 - Atelier - Turquesa . Pistachio

Como quase todas as meninas da sua geração, Marina Cunha teve a formação caseira em costura, bordados, tricot, crochet... aprendizagens que arrumou no armário de adulta, seguindo um percurso profissional distante deste imaginário juvenil e feminino. Já mulher feita, a criatividade em potência espreitou-lhe a alma e a vontade de fazer, de resgatar esse mundo. Miss Ring foi a marca que lançou em 2003, quando iniciou uma colecção de anéis, “cachuchos” enormes e originais, muitos executados a partir de materiais reciclados, de tecidos a brinquedos. Começou a ver formas novas em matérias já existentes. Fez o que a sua imaginação ditou e avançou para outro patamar. As suas peças caminharam ainda mais no sentido da originalidade e da sofisticação e o tema “flores” tornou-se central em todas as suas criações de acessórios. “Curiosamente, não sou daquelas pessoas que gosta de ter flores em casa, aprecio-as no seu estado natural, não gosto de lhes cortar a raiz. Talvez por as apreciar assim, me inspire a recriá-las em peças únicas, que não repito porque não dá prazer. O meu prazer é colocar mais um pouco da minha imaginação, mais um pormenor que diferencia cada peça que executo”, reflecte Marina Cunha. Sabe que as suas peças – essencialmente colares, golas, pregadeiras, entre outras, quase todas feitas em seda sintética – não são de grado universal. Nem pretende que sejam. Tem a consciência de que são “as mulheres mais ousadas, arrajodas, atrevidas que gostam de exibir um estilo marcado”. Pleo menos é a sensibilidade que retira das feiras em que normalmente participa – Campo de Ourique e Estrela – que lhe permitiram aferir o tipo de mulheres que se sente seduzida pelas suas peças. A maior parte delas são tremendamente vistosas e muitas podem ser associadas a momentos especiais, de festa. Mas num olhar mais atento, as suas golas exuberantes, usadas sobre um simples top com calças de ganga têm um contexto válido para um uso quaotidiano. É isso mesmo que vai tentar expressar para o novo passo de criatividade: roupa associada à sua técnica única de trabalhar a as flores em seda: túnicas, blusas, roupa confortável e, acima de tudo, com a marca de originalidade que a carcateriza.
Marina Cunha não consegue precisar se são os tecidos que lhe evocam as ideias ou o inverso. “Julgo que acontece as duas coisas, não tenho uma forma determinante nem um modelo fechado quanto à criatividade com que vão surgindo as peças. Elas vão aparecendo das minhas mãos. Flores e cores. Esse, sim, é o conceito que marca o meu trabalho. Por isso o nome da marca: Turquesa-Pistachio. No fundo é um azul e um verde específicos. É como se as cores base se transfomasse em elementos que ganham vida. Se calhar é assim que melhor consigo definir o meu universo criativo”. Se despertámos a sua curiosidade, não hesite em consultar o blogue http://www.turquesa-pistachio.blogspot.com/. Mas melhor ainda, é ir às feiras em que Marina Cunha expõe os seus trabalhos. Afiançamos que ver e mexer nas suas peças é uma sedução acrescida.