burda style 01/2015 - Atelier - Talegos Com Alma

Há momentos em que a vida sofre uma mudança e, de um momento para o outro, criam-se projetos muito interessantes que surgem da necessidade Talegos Com Alma, uma marca de Teresa Costa, recupera a arte dos antigos sacos de retalhos com tecidos 100% portugueses e muito coloridos.

Quem não se recorda dos bonitos sacos do pão, os chamados taleigos, feitos com retalhos de diversas cores e padrões? As nossas avós e mães não só os usavam, como os faziam à mão, aproveitando restos de tecidos de proveniências diversas. Este tipo de artesanato caiu em desuso no quotidiano, mas Teresa Costa viu potencial nas peças de retalhos.
Após ter ficado desempregada, em 2013, ficou “sem chão”, como ela própria diz. Mas desta dificuldade nasceria um projeto criativo: Talegos Com Alma. “O que me inspirou para iniciar esta nova etapa foi a necessidade urgente de, face à situação de desemprego, arranjar algo que me ocupasse o tempo e principalmente a mente”.
A paixão que já tinha pelo artesanato foi o empurrão para a criatividade. A ideia de trabalhar com tecidos nasceu e foi tomando forma ao longo de vários meses, conta. E como sempre admirou o Alentejo e as suas gentes, para o nome da marca deixou cair o “i” da palavra “taleigos”, imitando a pronúncia desta região, em jeito de homenagem. “Talegos Com Alma não é mais do que o renascer da nossa tradição, adaptando-a aos tempos atuais, dando-lhe novas aplicações, outros destinos e mantendo outras. A portugalidade, que tanto está na moda, não pode ficar indiferente a este conceito de aproveitamento de tecidos que, apesar de tão usado no tempo das nossas avós, caiu no esquecimento”.
Teresa mantém o princípio básico de usar sempre retalhos de tecidos 100% portugueses, como as chitas de Alcobaça. As peças que cria são únicas e integralmente feitas à mão. É preciso dar valor ao que é genuinamente português, salienta, “de uma forma diferente, mas não esquecendo nunca as nossas raízes”.
Atualmente, as peças da Talegos Com Alma estão à venda em algumas lojas de artesanato da Baixa de Lisboa e também em Seia, sendo principalmente turistas estrangeiros que as adquirem. Como pontos fortes destaca a qualidade na conceção das peças, bem como a versatilidade: “Podem ser produzidas muitas peças, desde os tradicionais saquinhos para variadíssimos fins, pão, sapatos, chinelos, bolachas, molas…Também produzo abat-jours, cabeceiras de cama...”
Para o futuro pretende expandir a rede de parcerias com lojas de artesanato, especialmente as que se dedicam a produtos de origem nacional. “A internacionalização, é sem dúvida alguma, o meu objetivo principal. Os portugueses também estão espalhados pelo mundo, pelo que é uma forma de lhes levar um pouco do nosso Portugal”.

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