ATELIER - Gata Valquíria

Gata Valquíria

Para Anabela o segredo das suas peças está no “amor” que lhes dedica. Exuberantes, coloridos, plenos de texturas, cada um dos seus colares é um portento de pormenores e de técnicas que, teoricamente, seriam muito improváveis de combinar entre si. Não só se entrosam bem, como falam uma linguagem criativa única dos artesãos que fazem magia. Quem não conhece a artista pode induzir uma personalidade tão vistosa quanto os acessórios. Mas não. Anabela é um tímida confessa, que vê nas suas obras a probabilidade de um outro “EU”, o seu lado mais brincalhão, infantil e que surge de uma forma quase visceral. Se à semelhança de muitas artesãs, frequentemente a inspiração nasce dos materiais, Anabela congemina mais frequentemente as ideias de madrugada, visualiza as formas e tenta concretizá-las. Por vezes, é à noite que pega numa agulha de croché e que as formas surgem e se juntam no dia seguinte aos pedaços de tecido que enchem uma arca, aos botões, às peças de retrosaria antiga que compra na Feira da Ladra, em Lisboa. Tudo encaixa em peças únicas, com misto de técnicas artesanais com tradição.
Diz Anabela que a criatividade lhe está nas mãos, basta começar a mexer e as peças vão surgindo. É uma questão visceral que se manifestou em miúda, quando começou a fazer bonecas de trapo todas à mão e a vender. Um percurso por anos interrompido, um caminho académico que nunca passou pelas belas artes e que um dia despertou, quando viu uma pregadeira numa montra e pensou: “Talvez eu fosse capaz de fazer isto!”. E foi. E com sucesso, e fez mais e foi vendendo a amigas, e às amigas das amigas. Chegou a tê-las numa boutique. Há perto de quatro anos resolveu pôr as suas peças na internet. Que nome dar ao blogue? Olhou para o lado e deu-lho o nome do seu animal de estimação: “Gata Valquíria”. Uma casualidade. Mais uma vez, o instinto foi para a esfera virtual no endereço http://www.flickr.com/photos/anabela_joana/, onde expõe os seus acessórios criativos. Agora muito mais os colares. E as imagens falam por si. Quase exclusivamente peças únicas que vende num ápice após colocá-las no flickr ou no blogue. Ainda assim, prefere não “industrializar” a actividade ... porque defende que as peças são “assim porque as faço com o maior carinho, porque lhes dedico tempo e amor. É esse o único segredo que tenho”.
http://www.flickr.com/photos/anabela_joana/