burda style 09/2018 - Moda Designer - Amsel

A marca AMSEL da designer Alexandra von Frankenberg cria os trajes tradicionais da Baviera
O dirndl que desenhou para as nossas leitoras surpreende por ser um clássico moderno. Qual é para si o modelo perfeito?
Um dirndl perfeito não precisa de ser muito elaborado, em primeiro lugar está a mulher que o veste e nunca o dirndl como elemento predominante. É imprescindível um bom corte, principalmente na zona do busto: o peito deve ser evidenciado, sem mostrar demasiado a intimidade, aí sou mais clássica. Além disso, um dirndl termina sempre abaixo e nunca acima do joelho, mas penso que cada pessoa deve decidir por si como se sente melhor. Julgo, contudo, que a tendência natural é o regresso aos dirndls compridos. No entanto, é muito importante que o tecido da saia seja fluido, o colete ligeiramente mais encorpado e as cores puras e cativantes.
Quando pensou em criar a sua própria marca, dedicando-se ao design de trajes regionais?
Na realidade, de início não foi uma ideia pré-concebida, a marca acabou por ser um produto do acaso. Na altura eu era professora na ESMOD de Berlim e queria regressar a Munique por altura da Oktoberfest. Tinha sido difícil estabelecer-me por conta própria em Berlim no setor dos trajes regionais e, como queria produzir artigos fora do comum, decidi desenhar as minhas próprias criações, uma vez que tinha estudado desenho de moda. Através de amigos e conhecidos tudo se coordenou tão bem que, antes que me apercebesse, já tinha algumas celebridades como primeiros clientes. Claro que na altura a firma ainda era pequena, mais um atelier que uma verdadeira empresa. Comecei simplesmente quando o meu irmão Philippos decidiu avançar e conseguiu convencer-me a levar os meus projetos a uma feira. Este evento pode ser considerado como a “pedra de lançamento” da marca AMSEL.
O que a leva a ter esse fascínio pelo traje regional?
É realmente espetacular poder viver num país em que as vestes antigas se foram mantendo ao longo dos tempos e, simultaneamente, evoluindo e modificando-se. Os trajes regionais originais dos agricultores e da Corte iam sempre evoluindo de acordo com a moda da época. Foi somente a partir do séc. XIX que se criaram associações regionais para preservação dos usos e tradições antigas. Penso que as duas variantes, o traje regional moderno, que também desenvolvemos na AMSEL, e os trajes tradicionais das comunidades, precisam um do outro para manter viva a tradição. O interessante do desafio é ser criativo em determinados setores específicos e conseguir ter sempre ideias novas, sem deixar para trás as caraterísticas principais das tradições.
O que compõe as suas criações?
Tenho um fascínio especial pelos tecidos, tudo começa a partir dos materiais. Antigamente, frequentava com regularidade as feiras de tecidos. Ainda hoje gosto de visitar, com o tempo estabelecem-se contatos muito interessantes com os fornecedores: muitos deles visitam o meu atelier com frequência e trazem os seus materiais, ou desenvolvemos algo novo em conjunto. Então, sento-me com as minhas amostras, por vezes não maiores que 1 cm², e combino, ponho de parte, combino de novo. Só depois passo ao esboço. Depois de tudo delineado na prancheta, apresento o projeto à minha equipa e decidimos, em conjunto, quais as peças que vamos utilizar para a produção dos moldes. O mais gratificante, após três meses à espera dos tecidos, é podermos ver os modelos prontos ao vivo pela primeira vez.
Sente que existiu um momento determinante na sua carreira?
Assim de repente não consigo referir um momento realmente melhor que os outros na minha carreira. A autonomia implica, de certo modo, um trabalho constante na procura do “melhor momento”. Contudo, quando se alcança esse curto momento, segue-se de imediato a meta seguinte a que nos propusémos. Estou muito satisfeita por trabalhar com uma equipa tão sensacional e que, ao mesmo tempo, é também a minha família – pois trabalho com o meu irmão, o meu cunhado e o meu marido. Foi fantástico o meu irmão poder gerir sozinho a loja durante quase meio ano, quando nasceu o meu filho. Os apoios que recebo e o desempenho da minha equipa são o melhor que tenho no trabalho que desenvolvo. E, claro, ter conseguido realizar a minha grande paixão!