burda style 04/2017 - Moda Designer - Dimitri

Metade grego, metade italiano – pensamos ser difícil existir uma combinação que traduza mais instinto para a sensualidade e estilo. E, temporada após temporada, Dimitrios Panagiotopoulos é a prova real de como domina esta combinação na perfeição. Cada peça específica da sua etiqueta, fundada em Meran (2007), respira alegria de viver, sensualidade e descontração! Os drapeados dos vestidos evocam as deusas gregas da Antiguidade, com decorações e bordados influenciados pelas técnicas antigas dos artesãos orientais.
Encontrámo-nos com Dimitrios para uma entrevista – as suas criações atuais surpreendem pelos tons extraordinariamente suaves – e conversámos com ele sobre as suas primeiras experiências no âmbito do design, o que o inspira e os principais momentos da sua carreira.
A moda de Dimitri tem um impacto poderoso e decidido, sendo também extremamente feminina. Durante o processo de criação pensa especificamente em alguma mulher?
Gosto das mulheres seguras de si, que não têm medo de nada, que enfrentam a vida com coragem e determinação e, no entanto, se mantêm sensuais e femininas. Gosto de enfatizar a sua personalidade.
A sua família dedicava-se ao ramo da hotelaria no Sul do Tirol. Já nessa altura manifestava tanta criatividade?
Desde criança que faço trabalhos de lavores, bordados e desenho. Na escola pediram para criarmos uma boneca. Eu queria fazer a boneca mais bonita de todas, fui para casa e cortei em pedaços o traje tradicional de seda da minha mãe. Claro que não foi só uma parte, foi o vestido todo! A minha ambição revelou-se desde muito cedo, com 14 anos vi na televisão uma modelo com cabelos curtos... era Linda Evangelista. Fiquei totalmente fascinado por ela e por todas, como por exemplo a Naomi Campbell. Por isso comprava sempre a Vogue, recortava as imagens das modelos e fazia álbuns inteiros com elas. A minha mãe ficava envergonhada quando me via a passear pela aldeia com as revistas de moda debaixo do braço. Até hoje admiro e venero Naomi Campbell!
Foi nessa altura que tomou a decisão de estudar Design de Moda?
Comecei a estudar algumas disciplinas mas não terminei o curso. A ideia de fazer algo relacionado com a moda já estava presente há muito tempo, embora só se tenha concretizado após uma viagem a Londres. Estava determinado a frequentar a Central Saint Martins College of Art and Design, mas não me atrevi a fazer a inscrição. Optei por me inscrever na ESMOD em Munique e fui aceite de imediato. Apliquei-me nos estudos com alma e coração e foi a primeira vez que prossegui até ao fim.
E a seguir?
Fiz ainda um mestrado em Design de Moda em Milão - na realidade desnecessário – e dediquei-me logo a seguir ao trabalho no atelier de Vivienne Westwood em Londres. Foi um sonho! Westwood chegava todos os dias ao escritório de bicicleta, por vezes com rolos no cabelo, outras vezes demasiado formal. Mais tarde trabalhei também para Jil Sander e Hugo Boss. E posteriormente decidi tornar-me independente. Foi um choque para a minha mãe…
Contudo, o sucesso surgiu quase de seguida. Qual foi até agora o momento mais alto da sua carreira?
Tive vários: o primeiro desfile na Semana de Moda de Berlim; ter sido um dos eleitos para a Vogue Runway; ou quando a modelo Karolina Kurkova, na inauguração de um show de Naomi Campbell, desfilou com um vestido de franjas meu. Mas como sou uma pessoa muito ambiciosa, quando alcanço uma vitória, começo de imediato a pensar na seguinte…